sábado, 27 de fevereiro de 2010
A história de um blogue que se sitiou
Novo endereço: http://aeiou.visao.pt/finalcut
Um site ainda em construção
Para verem este micro-mini-pequeno-trailer, um exclusivo Fina Cut, abram bem os olhos - e os ouvidos...
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Guerra e Paz
Do épico de David Lean, de 1962, baseado na biografia do próprio oficial britânico, fiquem com esta cena- talvez uma das melhores do filme. É aquela em que Omar Sharif aparece. Ou melhor vai aparecendo, lá ao longe, primeiro é uma quase invisível nuvem de areia no horizonte, talvez uma miragem, talvez a distorção do calor do deserto. Depois os contornos vão-se tornando mais visíveis, é um vulto, um homem que cavalga em direcção a Lawrence, ao árabe e ao poço de água. Aproxima-se, aproxima-se, naquele andamento ondulante do camelo. E antes de chegar, já matou um homem, só se lhe vê a face passado quatro minutos, quando desenrola o lenço. Só se apresenta a Lawrence aos 5 minutos. É, sem dúvida, uma das melhores introduções de personagem de sempre...
«He is coming». Outra grande entrada em cena de Gandhi em cena. Nomeado para 11 óscares e ganhador de 8, no filme de Richard Attenborough de 1982, o rosto do actor Ben Kingsley não mais se descolou do líder e fundador do Estado Indiano, por mais grandes papéis que tenha feito a seguir.
Aqui fica um apanhado dos vários rostos de um grande actor
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Wilde, wilde Oscar

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
A importância de se chamar Brillante
Ciclo Brillante Mendoza na Culturgest
Antes de o ser já o era, é o que se diz da pescada. E numa espécie de pescadinha de rabo na boca se pode dizer o mesmo do brilhante Brillante Mendoza, o realizador filipino, um dos homens de que mais se fala no cinema contemporâneo, que não tem culpa de se chamar assim, mas que o nome até lhe calha bem. Não que o brilho seja uma característica do seu cinema. É um realizador marginal que gosta de ambientes sujos. Dir-se-ia mesmo que tem um olhar sujo sobre o cinema, despido de artificialismo, com um estilo de ficção quase documental, talvez parecido com algum do novo cinema romeno, mas com excentricidade oriental de um dos países-arquipélagos mais fascinantes do mundo.
Esta retrospectiva que a Zero em Comportamento (organizadora do Indie Lisboa) leva à Culturgest, a mais completa que já foi feita, mostra oito longas de Brillante. O realizador começou tarde, apenas aos 40 anos desistiu da publicidade para se dedicar ao cinema, mas é de uma proficuidade espantosa. Só em 2009 lançou dois filmes. São precisamente as últimas obras que têm dado mais que falar, e que lhe valeram com toda a justiça o estatuto de revelação da década concedido pelos Cahiers du Cinema.
Serbis, ou Serviço, é o mais sujo dos seus filmes, tem um cheiro nauseabundo que nos faz agradecer que o olfacto no cinema só seja activado por sugestão. O cenário é uma sala de cinema pornográfico nas Filipinas onde se dão encontros sexuais. Tudo é focado entre o repugnante e o caricato, numa hábil gestão choque. Lola, o seu primeiro filme do ano passado, abranda os costumes, apesar do contexto trágico. O jovem morre e outro é preso. A gestão dos dramas fica a cargo das avós, entre os afectos e os valores. Kinatay, a sua última obra, repercute a violência de Manila através do brutal rapto de uma mulher.
Bendita esta retrospectiva que nos permite ver o carisma bruto, seco e refrescante de um dos melhores realizadores da actualidade, que faz jus aos bons ares asiáticos também trazidos por Kim Ki-Duk, Takeshi Kitano, entre tantos outros. Pena é que estas obras não tenham por cá a justificada exibição comercial.
PROGRAMAÇÃO (tirada do site da Culturgest)
QUARTA-FEIRA 20
21H30
Lola, Filipinas/França, 2009, 1h50, versão original com legendas em português e inglês
Duas anciãs. Uma perdeu o neto, a outra é a avó do assassino. Cada uma delas é obrigada a lidar com a trágica ocorrência para tentar prosseguir com a sua vida.
QUINTA-FEIRA 21
18H30
Masahista, Filipinas, 2005, 1h20, versão original com legendas em português e inglês
Iliac é um jovem massagista com uma clientela predominantemente gay. No salão de massagem, o sexo é um elemento sempre presente nas relações entre os funcionários e os seus clientes.
21H30
Manoro, Filipinas, 2006, 1h15, versão original com legendas em português e inglês
Numa remota comunidade situada nas montanhas vulcânicas das Filipinas, uma jovem professora ensina adultos e idosos a ler e a escrever para poderem participar nas eleições presidenciais que se aproximam.
SEXTA-FEIRA 22
18H30
Kaleldo, Filipinas, 2006, 1h30, versão original com legendas em português e inglês
Numa família marcada pela figura de um pai autoritário e conservador, três irmãs procuram conquistar a sua autonomia enquanto jovens adultas, entrando em choque com a tradição familiar e religiosa.
21H30
John John, Filipinas, 2007, 1h38, versão original com legendas em português e francês
Num bairro-de-lata de Manila, uma mulher é contratada para tomar conta de órfãos a aguardar adopção. O pequeno John John é deixado aos seus cuidados.
SÁBADO 23
16H00
Tirador, Filipinas, 2007, 1h26, versão original com legendas em português e inglês
Num bairro comercial de Manila, jovens delinquentes procuram fazer pela vida. À sua volta, os restantes moradores lidam com as dificuldades de mais um dia no quotidiano febril da capital filipina.
18H30
Serbis, Filipinas, 2008, 1h34, versão original com legendas em português e inglês
A família Pinela dirige e habita um cinema pornográfico no centro de Manila que já conheceu melhores dias. Enquanto decorre a actividade diária das sessões, espectadores, prostitutas e elementos da família cruzam-se nos corredores e átrios do cinema.
21H30
Kinatay, Filipinas, 2009, 1h50, versão original com legendas em português e inglês
Um jovem formando da academia de polícia tenta melhorar a sua situação financeira, trabalhando como segurança privado em negócios duvidosos. Acaba implicado num ajuste de contas envolvendo uma prostituta.
Masterclass
SEXTA-FEIRA 22, 15H00
ENTRADA GRATUITA
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
O beijo da década
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Ainda vai a tempo para um último balanço do ano?
1 - INIMIGOS PÚBLICOS, de Michael Mann
2- SACANAS SEM LEI, de Quentim Tarantino
3- O LEITOR, de Stephen Daldry
4- VALSA COM BASHIR, de Ari Folman
5- A DÚVIDA, de John Patrick Shanley
6- GRAN TORINO, de Clint Eastwood
7- REVOLUTIONARY ROAD, de Sam Mendes
8- SLUMDOG MILLIONAIRE, de Danny Boyle
9- ÁGORA, de Alejandro Amenábar
10- AVATAR, de James Cameron
E AINDA...
10 (ex-equo) -DEIXA-ME ENTRAR, de Tomas Alfredson
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Os melhores filmes de 2009 (MH)
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Os melhores filmes portugueses da década
NO QUARTO DE VANDA, de Pedro Costa, 2000
O cinema do país e do mundo não voltou a ser o mesmo depois do olhar quase alienígena deste realizador único.
O DELFIM, de Fernando Lopes, 2002 A obra-prima de José Cardoso Pires e o Portugal bolorento de Salazar, no melhor filme do realizador, depois de Belarmino.
QUARESMA, de Álvaro Morais, 2003
Último filme do realizador, antes de morrer, «uma odisseia em circuito fechado», esteve presente na Quinzena dos Realizadores, em Cannes.
VAI E VEM, de João César Monteiro, 2003
O derradeiro auto-retrato burlesco e inclassificável daquele que é considerado um dos melhores realizadores portugueses.
NOITE ESCURA, de João Canijo, 2004
Eurípedes num bar de alterne na província. Uma obra maior, a primeira de uma triologia que o realizador ainda completa.
ALICE, de Marco Martins, 2005
Uma primeira e muito celebrada longa com uma coerência estética azul-cinza e as interpretações memoráveis de Nuno Lopes e Beatriz Batarda.
TRANSE, de Teresa Villaverde, 2006
O martírio além fronteiras de uma mulher traficada, vestida e despida por Ana Moreira, que encontrou neste filme o seu expoente.
AQUELE QUERIDO MÊS DE AGOSTO, de Miguel Gomes, 2008
O filme-fenómeno e completamente híbrido que fez um percurso invejável pelos festivais de todo o mundo.
GOODNIGHT IRENE, de Paolo Marinou-Blanco, 2008
Uma história de amizade, com os diálogos mais bem escritos dos últimos tempos, óptimos momentos musicais e visuais
UM AMOR DE PERDIÇÃO, de Mário Barroso, 2009
A conversão do drama passional do romantismo num filme de acção do século XXI, cheio de cenas muito bem pensadas e estetitizadas.
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terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Cinema non-stop no King e Monumental
domingo, 6 de dezembro de 2009
Fllipnote: Madalena Rosmaninho
sábado, 5 de dezembro de 2009
Luís Soares
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Fllipnote: Diana Salaviza
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Palmarés Cinanima
COMPETIÇÃO INTERNACIONAL / INTERNATIONAL COMPETITION
GRANDE PRÉMIO CINANIMA 2009 – GRAND PRIZE CINANIMA 2009
THE SPINE – Chris Landreth - Canadá
PRÉMIO ESPECIAL DO JÚRI – JURY’S SPECIAL PRIZE
LOGORAMA – François Alaux, Hervé de Crécy, Ludovic Houplain - França
PRÉMIO PARA A MELHOR LONGA-METRAGEM / PRIZE FOR THE BEST FEATURE FILM
PANIQUE AU VILLAGE- Stéphane Aubier, Vincent Patar - Bélgica
PRÉMIO PARA A MELHOR CURTA-METRAGEM / PRIZE FOR THE BEST SHORT FILM
RED-END AND THE SEEMINGLY SYMBIOTIC SOCIETY – Robin Noorda, Bethany de Forest – Holanda
Menções Especiais:
GRANNY O’GRIMM’S SLEEPING BEAUTY – Nicky Phelan – Irlanda
MADAGASCAR – CARNET DE VOYAGE – Bastien Dubois - França
PRÉMIO PARA A MELHOR MÉDIA-METRAGEM / PRIZE FOR THE BEST MEDIUM LENGTH FILM
LOST AND FOUND – Philip Hunt – Reino Unido
PRÉMIO PARA O MELHOR PRIMEIRO FILME, FILME DE FIM DE ESTUDOS, FILMES DE ESCOLA / PRIZE FOR THE BEST FIRST FILM, GRADUATION FILM, SCHOOL FILM
GARY – Clément Soulmagnon, Sébastien Eballard, Quentin Chaillet, Yann Benedi - França
PRÉMIO PARA O MELHOR FILME PUBLICITÁRIO OU DE INFORMAÇÃO/ PRIZE FOR THE BEST COMMISSIONED FILM
HARMONIX “ROCK BAND II” – Pete Candeland – Reino Unido
PRÉMIO PARA A MELHOR SÉRIE OU FILME DE ANIMAÇÃO PARA TELEVISÃO / PRIZE FOR THE BEST SERIES OR ANIMATION FILM FOR TV
Não atribuido
PRÉMIO JOSÉ ABEL / PRIZE JOSÉ ABEL
FRENCH ROAST – Fabrice O. Joubert - França
GRANDE PRÉMIO TOBIS / GRAND PRIZE TOBIS
Pássaros – Filipe Abranches - Portugal
PRÉMIO ALVES COSTA / PRIZE ALVES COSTA
O Acidente – André Marques e Carlos Silva – Portugal
PRÉMIO DO PÚBLICO/ PRIZE OF THE AUDIENCE
Logorama – François Alaux, Hervé de Crécy, Ludovic Houplain - França
PRÉMIO RTP2: ONDA CURTA / PRIZE RTP2: ONDA CURTA
MADAGASCAR – CARNET DE VOYAGE – Bastien Dubois - França
LES VENTRES – Philippe Grammaticopoulos - França
MEMOIRE FOSSILE – Arnaud Demuynck, Anna-Laure Totaro – França
MALBAN – Elodie Bouedec – França
GERMANIA WURST – GERMAN HISTORY IN A BITE - Volker Schlecht – Alemanha
NOTEBOOK – Evelien Lohbeck – Holanda
PRÉMIO MELHOR BANDA SONORA ORIGINAL / PRIZE FOR THE BEST ORIGINAL SOUNDTRACK
URS – Moritz Mayerhofer - Música de Frank Schreiber e Peter Gromer - Alemanha
COMPETIÇÃO NACIONAL / NATIONAL COMPETITION
PRÉMIO JOVEM CINEASTA PORTUGUÊS / PRIZE YOUNG PORTUGUESE DIRECTOR
Filmes feitos por crianças e jovens até 18 anos:
O ASSALTO - Alunos da EB1 Sede nº1 de Vila do Conde – Portugal
Menção Honrosa:
AMOR POR UM FIO – Alunos da EB 2,3 Júlio Saul Dias , 9º H – Vila do Conde - Portugal
Primeiro filme de Jovens Realizadores ( menos de 30 anos):
O DIREITO À INFELICIDADE - Colectivo NEFASTO - Pedro Vaz, Mário Dinis, Miguel Coelho - Portugal
PRÉMIO ANTÓNIO GAIO/ PRÉMIO FNAC
MI VIDA EM TUS MANOS – Nuno Beato - Portugal
Menção Especial:
ALGO IMPORTANTE – João Fazenda – Portugal
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Palmarés do Estoril Film Festival 2009
GRANDE PRÉMIO ESTORIL FILM FESTIVAL
Dogtooth de Yorgos Lanthimos (Grécia)
PRÉMIO ESPECIAL DO JÚRI JOÃO BÉNARD DA COSTA
Ex-aequo
Eastern Plays de Kamen Kalev (Bulgária)
The Girl de Fredrik Edfeldt (Suécia)
PRÉMIO CINEUROPA
First of All, Felicia de Melissa de Raaf e Razvan Radulescu (Roménia)
Menção Honrosa
The Girl de Fredrik Edfeldt (Suécia)
PRÉMIO MEO – MELHOR CURTA METRAGEM
52 Procent de Rafal Skalski
The Polish National Film, TV and Theatre School (Lodz, Polónia)
Menção Honrosa
Deixar cair a noite de Jorge Jácome
Escola Superior de Teatro e Cinema (Portugal)
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Cinanima: a festa da animação
A Matter of Loaf and Death, o ultimo episódio da série britânica Wallace & Gromit, de Nick Park, é um dos grandes destaques do Cinanima, que decorre em Espinho, de 9 a 15 de Novembro. Aquele que é o maior festival de cinema de animação português, e um dos mais destacados a nível europeu, entra assim na 33.ª edição. O filme abre o certame, logo no dia 9, às 22 horas, numa sessão em que também passa Life Without Gabriella Ferri, da dupla estónia Priit e Olga Parn. O mais importante são os filmes portugueses. Para o Prémio António Gaio, da competição nacional, concorrem dez filmes, e muitos mais ficaram de fora, mostrando não só a quantidade mas também a qualidade da produção portuguesa. Alguns já se afiguram como favoritos ao prémio: Mi Vida en tus Manos, de Nuno Beato, sobre a tourada; Passeio de Domingo, de José Miguel Ribeiro, em que o único realizador português premiado com o Carton D’Or regressa à animação de volumes; Café, de João Fazenda e Alex Gozblau, dois dos melhores ilustradores portugueses da actualidade; 28, de José Xavier, num percurso a bordo do mais famoso eléctrico de Lisboa; ou Pássaros, de Filipe Abranches, já premiado no IndieLisboa. Diga-se que João Paulo Cotrim está em grande evidência, assinando o argumento de três dos dez filmes. À parte, funciona o Prémio Jovem Cineasta, dividido em diferentes categorias, que tanto premeia filmes de crianças como primeiras obras.
A Competição Internacional de Longas-metragens pela primeira vez conta com cinco obras. Mostra do encanto que vem de leste. Da república Checa, dois filmes: In Attic:Who has a birthday?, de Jiri Barta, uma fabulosa animação de marionetas, ao melhor estilo; e Goat Story – The Old Prague Legends, de Jan Tománek, a primeira longa-metragem 3D da República Checa, que conta a história do homem que fez o mais famoso relógio da Europa. Da Rússia, uma história de encantar em verso ainda ao estilo soviético: The Tale of the Soldier Fedot, The Darkling Fellow, de Ludmila Steblyanko. A dupla belga Stépháne Aubier e Vincent Patar apresenta em formato longo o trabalho apresentado em curtas-metragens, com aqueles bonequinhos plásticos de índios e cowboys. A aventura chama-se Panique au Village. A maior surpresa talvez venha da Argentina: Boogie, el Acetoso, de Gustavo Cova, é uma obra de uma violência exacerbada, inspirada numa BD proibida na Argentina durante a ditadura.
Pelo Cinanima passam ainda dezenas de curtas-metragens dos quatro cantos do mundo, bem como programas especiais, incluindo uma palestra de Lara Ermacora e um workshop de Marius Legge.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
O Festival de todas as estrelas
O Fantástico Senhor Raposo, de Wes Anderson, um dos filmes mais esperados do ano, vai ter a sua segunda exibição mundial no EFF. Isto logo no dia da abertura, às 22 e 30, depois da gala. Após The Darjeeling Limited, o realizador surpreende tudo e todos com uma animação, baseada num livro de Roald Dahl, o autor de Charlie e A Fábrica de Chocolate. Maior ainda é a expectativa para o último filme de Michael Haneke, O Laço Branco (dia 7, às 22), que venceu a Palma de Ouro do Festival de Cannes, e conta a história de duas crianças que fazem parte do coro de uma Igreja Protestante. São dois óptimos exemplos da qualidade elevada do Festival de Paulo Branco, sobre o qual, cada vez mais, caem os olhos do mundo.
Também premiado em Cannes foi Um Profeta, de Jacques Audiard, sobre um jovem árabe que é enviado para uma prisão francesa. Encerra o festival (dia 14, às 21 e 30). Ainda agora estreou nas salas portuguesas O Delator, e o EFF já mostra o filme seguinte de Steve Soderbergh, The Girlfriend Experience (dia 12, às 22 horas), para o qual descobriu a actriz Sacha Grey, que estará presente no Estoril. Uma bomba promete ser o novo filme de Lars Von Trier, realizador habituado a polémicas e a pequenas revoluções no cinema, que desta vez inventa-se num novo género: o terror. Como é hábito a crítica tem-se dividido em relação a Anticristo (dia 13, à meia-noite), mas entre o gore e a comédia tem todas as condições para se tornar filme de culto. A neo-zelandesa Jane Campion, que tem uma retrospectiva no festival, também ante-estreia Bright Star (dia 11, às 22 e 15), um filme passado no século XIX, que conta a história de amor entre o poeta John Keats e Fanny Brawne. Entre os portugueses, aguarda-se a estreia de Os Sorrisos do Destino (dia 7, às 19 e 30), de Fernando Lopes, numa sessão com a presença do realizador e dos actores (ver crítica p. 30). E há ainda uma grande obra Lola Montés (dia 9, às 12 e 30), a única película de Max Ophuls a cores, que é apresentada em cópia restaurada.
Os convidados são de tal gabarito e as ante-estreias tão significativas, que inevitavelmente se deixa para segundo plano a sessão competitiva. Contudo não é de todo desprezível. Aliás, Moon (dia 8, às 18), do inglês Duncon Jones, um dos filmes exibidos, também será estreado muito brevemente em sala.
Tal como aconteceu o ano passado, com 4 Copas, de Manuel Mozos, também este ano há um filme português em competição: Duas Mulheres, de João Mário Grilo. Passará em estreia mundial. A cinematografia romena continua a estar em grande destaque. No EFF está duplamente representada. Por Police Adjective, de Corneliu Porumboiu, o mesmo realizador de A Este de Bucareste (dia 6, às 17 horas). É novamente um retrato perspicaz e quase documental da Roménia, desta vez contando a história de um polícia com um dilema moral. E First of All, Felícia (dia 11, às 15 horas; dia 12, às 19 e 30), realizado por Melissa de Raaf e Razvan Radulescu, este último é o autor de A Morte do Senhor Lazarescu. Também do Leste, Eastern Plays (dia 10, às 17 horas; dias 11, às 19 e 45), do búlgaro Kamen Kalev, que conta a história de dois irmãos, outrora rivais e agora unidos.
A França é o pais mais representado, com três filmes: La Famille Wolberg (dia 6, às 15; doa 7 às 22 e 15), de Axelle Ropert, numa família disfuncional e poderosa perdida na província francesa; Le Roi de l’Evaasion (dia 11, às 17 e 15; dia 12, às 21 e 45), de Alain Guiraudie, sobre um homossexual que se apaixona; Les Beaux Grosses (dia 8, às 16 horas) é o primeiro filme de Riad Sattouf, sobre os amores e desamores de um adolescente. A Espanha está representada com Petit Indi (dia 7, às 15 horas), do catalão Marc Recha, que fala de um treinador de periquitos. Da Grécia, Dogtooth (dia 10, às 18 e 45), de Giorgios Lanthimos, com a presença do actor Christos Stergiougiou. E da Suécia, The Girl (dia 19, às 17 e 30), de Fredrik Edfeldt, que também estará presente no festival.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Festa do Cinema Francês
Paulo de Bragança em filme irlandês
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Amar sempre também cansa
O «fogo que arde sem se ver» com finais infelizes mas também não particularmente trágicos.
De que falamos quando falamos de amor no DocLisboa?
Falamos sempre da mesma coisa, apesar de os poetas tanto cantarem as suas indefinições. De «dor que desatina sem doer». É estranho só isso, encará-lo na sua nudez, sem, ao menos, a complacência de um «manto diáfano da fantasia». Nesta edição do DocLisboa (entre 15 e 25 de Outubro), o amor também comparece no imenso banho de realidade, que se firmou como referência internacional do cinema documental. Entre histórias sobre as mazelas por cicatrizar da ex-Jugoslávia (os Balcãs é a região em destaque), o extremismo da sinistra milícia iraniana Bassidji ou as agruras da emigração subsariana, lá está ele, tão deslocado como um sobretudo no Verão, na nova secção temática Love Stories (que substitui a dos Auto-Retratos do ano passado).
O amor sem maquilhagem, tão diferente daquele outro da ficção, o dos finais trágicos ou dos happy-ends. Pode não ser a secção mais excitante entre as 16 em que se exibem 200 obras, ao longo de 11 dias. Mas contém, seguramente, nas palavras do director do festival, Sérgio Tréfaut, «filmes de questionamento». É uma espécie de «síndroma Tom Baxter», ao contrário. No filme de Woody Allen, o intrépido explorador de Rosa Púrpura do Cairo abandona o ecrã por causa de uma mulher e estranha que, na vida real, quando duas pessoas se beijam, não aconteça fade out. Nós também estranhamos que, nestes 11 filmes da secção, o amor não apareça tão composto como costuma acontecer na penumbra do cinema. É a vida.Ou como alguém diz a Cecília, a rapariga em fuga da realidade, no mesmo filme: «Afinal, o que é que preferes: um homem perfeito ou um homem real?» Eis a questão.
A primeira história de amor chega-nos da Alemanha. Driving Men (15 e 22 de Outubro) é o retrato sentimental e muito umbiguista de uma realizadora americana «judia, cinquentona, solteira e um bocado maluca». Ou melhor, rectifica o director, «ela é mesmo doida varrida». A autora vai revisitando os homens da sua vida, filma-os ao volante de um carro (porque foi num acidente de viação que morreu o seu primeiro amor) e pergunta--se: «Porque é que eu nunca me casei?» Nos antípodas deste registo, está First Love (15 e 16), filme referencial do mestre polaco Krzysztof Kieslowski, que retrata sete meses de vida de um jovem casal, nos anos setenta. O realizador, conta Tréfaut, «sofreu tanto a fazer esta obra que nunca mais fez nenhum documentário». Também há a história (uma curta-metragem alemã) de Gitti (17 e 19), uma velhota septuagenária que escolhe o seu par através de um anúncio, e vai fazendo o seu casting amoroso. E de um par, na Mongólia, que vive separado pela distância da emigração, Long Distance Love (20 e 23), com realização sueca. Da Holanda chega o caso muito pragmático de um casal de gays e um casal de lésbicas que decidem unir esforços e células para fazerem um filho a quatro, em Mamas and Papas ( dia 16 e 19). Ao fim de cinco minutos de filme, nós já percebemos que «aquilo não vai funcionar. A vida não é assim tão simples».E mais casos de romeus e julietas no Afeganistão (War and Love in Kabul, 15 e 17) ou de viúvas que despertam para a vida, num salão de cabeleireiro (In Terms of Perms, 15 e 17), amores quotidianamente filiais (Padre Nosso, 16 e 18), amores aquecidos que nem as latitudes da Sibéria conseguem enregelar (Melting Sibéria, dia 16 e 18), e amores modernos, plurais e poligâmicos – todos abrigados sob o mesmo tecto multiétnico do Kosovo (Weddings & Diapers, dia 15 e 17). E é nos Balcãs que se encerra a secção, a lembrar que a região da ex-Jugoslávia, como dizia Churchill, produz mais História do que aquela que tem capacidade para consumir. E onde há histórias há documentários, e, acrescenta Tréfaut, «muito bom cinema», para além de Kusturica.
Na categoria Balcãs em Foco serão apresentados 17 filmes dos últimos dez anos, todos sediados na efeverescência ideológica, social e política de sete países que saíram de um só. Jonas Mekas, nome histórico do cinema experimental e independente, virá a Lisboa, numa co-organização que envolve o Museu Reina Sofia, a apresentar uma retrospectiva de 17 filmes seus; Pina Bausch será a artista homenageada; e o futebol vem «buscar novos públicos que não estejam tão conquistados para o documentário, mas o objectivo não é crescer a todo o custo». «Aliás, tentamos não crescer», atalha Augusto M. Seabra, que, este ano, torna a comissariar Riscos, com filmes mais híbridos e de fronteira, vindos da Tailândia, Indonésia, México, Irão, Palestina…Não se tratará de uma edição muito típica do DocLisboa, no sentido em que, desta vez, não é tão óbvia a vocação interventiva do festival. Ao contrário de Wiseman, o realizador convidado no ano passado, Mekas não reivindica mudar o mundo nem fazer cinema-denúncia. Por outro lado, sai uma boa fornada de documentários nacionais, em competição. Se, nas outras edições, muita da produção portuguesa denunciava algum défice de imaginação temática e formal, «estes filmes prometem fazer um bom percurso, em termos de festivais internacionais. A média de qualidade deu um salto e queremos acreditar que a sensibilização do Doc contribuiu para isso». No ano em que o Doc fala de amor, Sérgio Tréfaut fala de divórcio. Com a RTP e devido à ausência de serviço público – e ao desinteresse manifestado pelo documentário, ao contrário do que sucede noutras televisões europeias. Enfim, é a realidade... Chata, diria Woody Allen, mas «o único sítio onde ainda se pode comer um bom bife».
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Porno vintage e em coro
O Coro Misto da Beira Interior musicando, ao vivo, pornografia vintage, dos anos 20 e 30. A coisa por si só promete. O resultado foi acima das expectativas. Um dos melhores filmes-concerto da história do Imago, aperitivo ideal para uma semana de luxúria cinematográfica, na X edição do festival de cinema jovem do Fundão, que terminou no passado dia 5. Quem está avisado, já sabe que o que faz o Coro Misto da Beira Interior não é propriamente o que se espera de um Coro Misto da Beira Interior. É dos grupos vocais mais ousados que tenho conhecimento em Portugal. Sob a batuta do maestro Luís Cipriano, o coro faz uma incursão muito original, sofisticada e inovadora pela música contemporânea, adaptando-se funcionalmente aos filmes que assistem. Assim acontece há anos, quando nos dão as boas vindas ao Imago.
Mas este ano era especial. O festival comemorava o 10.º aniversário, num programa X, e os organizadores até recearam que o prezado maestro recusasse desafio tão pouco convencional. Enganaram-se bem. O que Luís Cipriano fez foi excluir os menores de 16 – «por causa daquelas organizações de pessoas que não sabem tomar conta dos seus filhos e por isso se preocupam com os filhos dos outros» – e dar som àquelas imagens caladas. Faça-se aqui uma nota de espanto: já sabia que o sexo existe desde que existe o homem, mas não imaginava que nos anos 20 se filmasse pornografia tão explicitamente pornográfica (nestas Naughty Oldies não há sombra para erotismo). A coisa era hard e o coro deu-lhe música. Todos estes filmes são anónimos e circulavam clandestinamente por salas recônditas, ainda o cinema era uma criança.
Obra maior é a animação Burried Treasure, de 1929, soberbamente musicada. Aliás, foi antes desta começar que o maestro interpelou o público: «Estão aqui alguns políticos e ainda bem porque isto é curricular. Se alguma vez perguntarem se fizeram alguma coisa pela cultura, sempre podem responder: ‘Cantei num filme tralha’». Posto isto, pediu a ajuda do público, num coro que consistia em repetir a palavra «fuck» e em gemer. «Não tenham vergonha, é coisa que toda a gente já fez, nem que seja para fazer inveja ao vizinho de cima». Com óptimos resultados, diga-se. Miguel Ángel Barroso, crítico de cinema espanhol curador do programa, estava extasiado. Nunca tinha visto nada assim.
Noutros tempos, um programa assim seria o suficiente para ganhar ou perder eleições, ou criar um motim popular. Mas hoje em dia já não é assim tão fácil chocar as pessoas. As pessoas são à prova de choque e demasiadas sentadas para se mexerem. Mesmo no Fundão tendencialmente conservador. Além disso, por ali a câmara não sai das mãos do
Curiosamente, a maior hostilidade veio de grandes jornais nacionais, que se recusaram a publicar o anúncio, por considerarem obsceno. E talvez até fosse. O velhinho Jornal do Fundão, antigo bastião da imprensa livre, quis publicá-lo, mas a organização do festival acabou por enviar uma alternativa. Ficou assim tudo satisfeito.
Miguel Ángel construiu uma programação variada, entre clássicos da pornografia, como Garganta Funda, raridades, como uma obra de Jean Genet, e filmes meramente eróticos, como Bilbao, de Bigas Luna. O festival esteve em grande. Mas não só de sexo se falou. A programação foi vasta, incluiu um óptimo programa musical, além da habitual secção competitiva. A qualidade dos filmes apresentados é elevada, lamentando-se apenas que não se incluam mais portugueses. De resto, nunca foi tão excitante falar de cinema.








