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sábado, 27 de fevereiro de 2010

A história de um blogue que se sitiou




Novo endereço: http://aeiou.visao.pt/finalcut

Um site ainda em construção

Para verem este micro-mini-pequeno-trailer, um exclusivo Fina Cut, abram bem os olhos - e os ouvidos...

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Guerra e Paz

Um impate técnico entre Ghandi (Ben Kingsley) e Lawrence da Arábia (Peter O'Toole), ambos com 29% (11 votos) na sondagem do FINAL CUT sobre actores que desempenharam líderes históricos. Imediatamente a seguir ficou Sean Penn, com Milk (13%)... Os visitantes do nosso blogue continuam a preferir os clássicos.

Do épico de David Lean, de 1962, baseado na biografia do próprio oficial britânico, fiquem com esta cena- talvez uma das melhores do filme. É aquela em que Omar Sharif aparece. Ou melhor vai aparecendo, lá ao longe, primeiro é uma quase invisível nuvem de areia no horizonte, talvez uma miragem, talvez a distorção do calor do deserto. Depois os contornos vão-se tornando mais visíveis, é um vulto, um homem que cavalga em direcção a Lawrence, ao árabe e ao poço de água. Aproxima-se, aproxima-se, naquele andamento ondulante do camelo. E antes de chegar, já matou um homem, só se lhe vê a face passado quatro minutos, quando desenrola o lenço. Só se apresenta a Lawrence aos 5 minutos. É, sem dúvida, uma das melhores introduções de personagem de sempre...


«He is coming». Outra grande entrada em cena de Gandhi em cena. Nomeado para 11 óscares e ganhador de 8, no filme de Richard Attenborough de 1982, o rosto do actor Ben Kingsley não mais se descolou do líder e fundador do Estado Indiano, por mais grandes papéis que tenha feito a seguir.
Aqui fica um apanhado dos vários rostos de um grande actor

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Wilde, wilde Oscar


O Óscar deste ano devia abandonar o dourado. E levar o tom azul, como os NAVi, habitantes do planeta Pandora do filme Avatar. É que James Cameron, realizador de Titanic, bem pode gritar à proa do navio na noite dos óscares, a 7 de Março: ele é o rei dos blockbusters. Depois de se ter destronado a si próprio (Avatar já é hoje mais rentável do que Titanic), está nomeado nas categorias principais de Melhor filme e Melhor Realizador, assim como nas categorias de aspectos técnicos. Curiosamente, são outros dois filmes bélicos, desta vez não intergalácticos, mas bem terrestres que competem com Avatar, também com duas nomeações nas principais categorias (melhor realizador e melhor filme): Em Estado de Guerra, passado no Iraque, de Kathryn Bigelow e Sacanas sem Lei, em França na Segunda Grande Guerra, de Quentim Tarantino. Muito se estranharia se Morgam Freeman, que faz de Nelson Mandela em Invictus não levasse a estatueta (a academia não resiste a personagens históricas). A obesamente estreante Gabourey Sidibe, em Precious tem boas hipóteses na categoria de Melhor Actriz (A déja vu Meryl Streep já fez muito melhor do que uma cozinheira autoritária) e o poliglota austríaco Christoph Waltz, de Sacanas sem Lei, vem com um potencial de simpatia de mil e tal volts para Melhor Actor Secundário. O Laço Branco, vencedor de Cannes, é quase garantido no Melhor Filme Estrangeiro e a maior anedota da noite seria entregar a estatuteta com tenazes de camarão a District 9, um filme completamente-OVNI dentro dos filmes sobre OVNIS.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A importância de se chamar Brillante

Ciclo Brillante Mendoza na Culturgest





Antes de o ser já o era, é o que se diz da pescada. E numa espécie de pescadinha de rabo na boca se pode dizer o mesmo do brilhante Brillante Mendoza, o realizador filipino, um dos homens de que mais se fala no cinema contemporâneo, que não tem culpa de se chamar assim, mas que o nome até lhe calha bem. Não que o brilho seja uma característica do seu cinema. É um realizador marginal que gosta de ambientes sujos. Dir-se-ia mesmo que tem um olhar sujo sobre o cinema, despido de artificialismo, com um estilo de ficção quase documental, talvez parecido com algum do novo cinema romeno, mas com excentricidade oriental de um dos países-arquipélagos mais fascinantes do mundo.

Esta retrospectiva que a Zero em Comportamento (organizadora do Indie Lisboa) leva à Culturgest, a mais completa que já foi feita, mostra oito longas de Brillante. O realizador começou tarde, apenas aos 40 anos desistiu da publicidade para se dedicar ao cinema, mas é de uma proficuidade espantosa. Só em 2009 lançou dois filmes. São precisamente as últimas obras que têm dado mais que falar, e que lhe valeram com toda a justiça o estatuto de revelação da década concedido pelos Cahiers du Cinema.

Serbis, ou Serviço, é o mais sujo dos seus filmes, tem um cheiro nauseabundo que nos faz agradecer que o olfacto no cinema só seja activado por sugestão. O cenário é uma sala de cinema pornográfico nas Filipinas onde se dão encontros sexuais. Tudo é focado entre o repugnante e o caricato, numa hábil gestão choque. Lola, o seu primeiro filme do ano passado, abranda os costumes, apesar do contexto trágico. O jovem morre e outro é preso. A gestão dos dramas fica a cargo das avós, entre os afectos e os valores. Kinatay, a sua última obra, repercute a violência de Manila através do brutal rapto de uma mulher.

Bendita esta retrospectiva que nos permite ver o carisma bruto, seco e refrescante de um dos melhores realizadores da actualidade, que faz jus aos bons ares asiáticos também trazidos por Kim Ki-Duk, Takeshi Kitano, entre tantos outros. Pena é que estas obras não tenham por cá a justificada exibição comercial.

PROGRAMAÇÃO (tirada do site da Culturgest)

QUARTA-FEIRA 20

21H30

Lola, Filipinas/França, 2009, 1h50, versão original com legendas em português e inglês

Duas anciãs. Uma perdeu o neto, a outra é a avó do assassino. Cada uma delas é obrigada a lidar com a trágica ocorrência para tentar prosseguir com a sua vida.

QUINTA-FEIRA 21

18H30

Masahista, Filipinas, 2005, 1h20, versão original com legendas em português e inglês

Iliac é um jovem massagista com uma clientela predominantemente gay. No salão de massagem, o sexo é um elemento sempre presente nas relações entre os funcionários e os seus clientes.

21H30

Manoro, Filipinas, 2006, 1h15, versão original com legendas em português e inglês

Numa remota comunidade situada nas montanhas vulcânicas das Filipinas, uma jovem professora ensina adultos e idosos a ler e a escrever para poderem participar nas eleições presidenciais que se aproximam.

SEXTA-FEIRA 22

18H30

Kaleldo, Filipinas, 2006, 1h30, versão original com legendas em português e inglês

Numa família marcada pela figura de um pai autoritário e conservador, três irmãs procuram conquistar a sua autonomia enquanto jovens adultas, entrando em choque com a tradição familiar e religiosa.

21H30

John John, Filipinas, 2007, 1h38, versão original com legendas em português e francês

Num bairro-de-lata de Manila, uma mulher é contratada para tomar conta de órfãos a aguardar adopção. O pequeno John John é deixado aos seus cuidados.

SÁBADO 23

16H00

Tirador, Filipinas, 2007, 1h26, versão original com legendas em português e inglês

Num bairro comercial de Manila, jovens delinquentes procuram fazer pela vida. À sua volta, os restantes moradores lidam com as dificuldades de mais um dia no quotidiano febril da capital filipina.

18H30

Serbis, Filipinas, 2008, 1h34, versão original com legendas em português e inglês

A família Pinela dirige e habita um cinema pornográfico no centro de Manila que já conheceu melhores dias. Enquanto decorre a actividade diária das sessões, espectadores, prostitutas e elementos da família cruzam-se nos corredores e átrios do cinema.

21H30

Kinatay, Filipinas, 2009, 1h50, versão original com legendas em português e inglês

Um jovem formando da academia de polícia tenta melhorar a sua situação financeira, trabalhando como segurança privado em negócios duvidosos. Acaba implicado num ajuste de contas envolvendo uma prostituta.


Masterclass

SEXTA-FEIRA 22, 15H00

ENTRADA GRATUITA

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

O beijo da década

Os filmes da década para os Cahiers du Cinema




Não há nenhum filme português no top 10 da lista geral dos melhores da década segundo os Cahiers du Cinema, contudo a cinematografia portuguesa está em grande, aparecendo em mais de metade das listas individuais da redacção. Cinco realizadores em destaque. Além dos inevitáveis Manoel de Oliveira e Pedro Costa, aparecem também João César Monteiro, João Pedro Rodrigues e Miguel Gomes.
De Oliveira são citados Vou para Casa e Singularidades de uma Rapariga Loura. De Pedro Costa, Juventude em Marcha (4 vezes), No Quarto de Vanda (2 vezes) e Onde jaz o teu sorriso? De João César Monteiro, Vai e Vem. De João Pedro Rodrigues, Odete e o Fantasma (2 vezes). José Pedro Rodrigues e Miguel Gomes fazem parte da lista dos 15 realizadores-revelação da década e, juntamente com Pedro Costa, foram convidados a apresentar o seu própria top. A lista dos Cahiers é liderada por David Lynch.

1. Mulholland Drive, de David Lynch (2001)
2. Elefante, de Gus Van Sant (2003)
3. Febre Tropical, de Apichatpong Weerasethakul
4. The Host, de Bong John-Ho (2006)
5. Uma história de violência, de David Cronenberg (2006)
6. O segredo de um cuscuz, de Abdellatif Kechiche
7. A l'ouest des rails, de Wang Bing (2002)
8. A Guerra dos Mundos, de Steven Spielberg
9. O novo mundo, de Terrence Mallick
10. Ten, de Abbas Kiarostami

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Os melhores filmes portugueses da década



NO QUARTO DE VANDA, de Pedro Costa, 2000
O cinema do país e do mundo não voltou a ser o mesmo depois do olhar quase alienígena deste realizador único.

O DELFIM, de Fernando Lopes, 2002 A obra-prima de José Cardoso Pires e o Portugal bolorento de Salazar, no melhor filme do realizador, depois de Belarmino.


QUARESMA, de Álvaro Morais, 2003
Último filme do realizador, antes de morrer, «uma odisseia em circuito fechado», esteve presente na Quinzena dos Realizadores, em Cannes.


VAI E VEM, de João César Monteiro, 2003
O derradeiro auto-retrato burlesco e inclassificável daquele que é considerado um dos melhores realizadores portugueses.

NOITE ESCURA, de João Canijo, 2004
Eurípedes num bar de alterne na província. Uma obra maior, a primeira de uma triologia que o realizador ainda completa.


ALICE, de Marco Martins, 2005
Uma primeira e muito celebrada longa com uma coerência estética azul-cinza e as interpretações memoráveis de Nuno Lopes e Beatriz Batarda.

TRANSE, de Teresa Villaverde, 2006
O martírio além fronteiras de uma mulher traficada, vestida e despida por Ana Moreira, que encontrou neste filme o seu expoente.

AQUELE QUERIDO MÊS DE AGOSTO, de Miguel Gomes, 2008
O filme-fenómeno e completamente híbrido que fez um percurso invejável pelos festivais de todo o mundo.



GOODNIGHT IRENE, de Paolo Marinou-Blanco, 2008
Uma história de amizade, com os diálogos mais bem escritos dos últimos tempos, óptimos momentos musicais e visuais

UM AMOR DE PERDIÇÃO, de Mário Barroso, 2009
A conversão do drama passional do romantismo num filme de acção do século XXI, cheio de cenas muito bem pensadas e estetitizadas.




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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Cinema non-stop no King e Monumental

Passar a madrugada a ver filmes do Bruce La Bruce ou do Sylvester Stalone é a excêntrica proposta da Medeia para comemorar com o público o seu 20.º aniversário, lembrando o estilo das noites brancas das ‘festas’ do Quarteto. Entre a meia-noite de sexta-feira, 18 de Dezembro, e as cinco da manhã de segunda-feira, 21, vai haver, praticamente, um contínuo de filmes, nos cinemas King e Monumental, em Lisboa. O programa está longe de ser dedicado à pancadaria, grandes filmes poderão ser vistos, fazendo jus ao papel único que a empresa de Paulo Branco tem tido na exibição de cinema independente. Ao todo, são nove as ante-estreias. Em destaque, O Laço Branco, de Michael Haneke (Monumental, 20, às 16 e 30), que recebeu a Palma de Ouro em Cannes. Um Profeta, de Jacques Audiard, vencedor do Prémio do Júri do mesmo festival (King, 19, às 21 e 15). A última obra de Inês Oliveira, Cinerama, passa dia 20, às 21.30, no King. À mesma hora, no monumental, O Sítio das Coisas Selvagens, de Spike Jonze. Mais ante-estreias no domingo: Cinza e Sangue, de Fanny Ardant, no King, às 19 horas; e, no Monumental, Non Ma Fille, Tu n’ira pas Danser, de Cristophe Honoré (às 19 e 15), Vincere, de Marco Bellochio (às 19 e 30), e Les Herbes Folles, de Alain Resnais (às 22 e 30). Joaquim Pinto é homenageado pelo seu trabalho enquanto realizador, técnico e produtor, com uma retrospectiva que inclui as suas curtas-metragens e documentários. Quatro realizadores portugueses têm direito a programas especiais: Bruno Almeida, Rodrigo Areias, Rita Azevedo Gomes e Joana Areal. E passam outros grandes filmes. Sábado no King: O Rei das Rosas, de Werner Shroeter (às 14), Zéfiro, de José Álvaro Morais (19.15), ou Noites de Lua Cheia, de Eric Rohmer (às 12.15). E no domingo: Recordações da Casa Amarela (às 14); Longe, de André Techiné (às 18 e 30), O Raio Verde, de Eric Rohmer (às 12.00), ou As Férias do Senhor Hulot, de Jacques Tati (este último no Monumental, às14 e 30, todos os outros no King).


domingo, 6 de dezembro de 2009

Fllipnote: Madalena Rosmaninho



O Final Cut tem a honra de divulgar os filmes vencedores do concurso Flipnote, da Nintendo. Trata-se de um software desenvolvido para a consola DSI (uma consola portátil), com muitas limitações (a superfície para desenhar é muito pequena e inclui apenas três cores). Os filmes a concurso não deveriam exceder um minuto. Um apelo à criatividade...

E o primeiro lugar é para... Madalena Rosmaninho...


Dois miúdos sustêm durante um minuto a respiração enquanto o carro passa por um túnel. Uma ideia simples e eficaz serve de pretexto para um trabalho esteticamente deslumbrante que faz esquecer as limitações do suporte.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Luís Soares


O Final Cut tem a honra de divulgar os filmes vencedores do concurso Flipnote, da Nintendo. Trata-se de um software desenvolvido para a consola DSI (uma consola portátil), com muitas limitações (a superfície para desenhar é muito pequena e inclui apenas três cores). Os filmes a concurso não deveriam exceder um minuto. Um apelo à criatividade...

E o segundo lugar é para... Luís Soares...


Luís Soares optou por um registo mais próximo do cartoon. Uma história bem contada, com um bom final, e alguns cuidados plásticos.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Fllipnote: Diana Salaviza


O Final Cut tem a honra de divulgar os filmes vencedores do concurso Flipnote, da Nintendo. Trata-se de um software desenvolvido para a consola DSI (uma consola portátil), com muitas limitações (a superfície para desenhar é muito pequena e inclui apenas três cores). Os filmes a concurso não deveriam exceder um minuto. Um apelo à criatividade...

E o terceiro lugar é para... Diana Salaviza...


Aprecie-se a sincronia a boa utilização do som, numa viagem espacial, tirando partido da capacidade de transformação plástica própria do cinema de animação.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Palmarés Cinanima


Depois do IndieLisboa, Pássaros, de Filipe Abranches, recebe o prémio do mais importante festival de animação português




COMPETIÇÃO INTERNACIONAL / INTERNATIONAL COMPETITION

GRANDE PRÉMIO CINANIMA 2009 – GRAND PRIZE CINANIMA 2009

THE SPINE – Chris Landreth - Canadá

PRÉMIO ESPECIAL DO JÚRI – JURY’S SPECIAL PRIZE

LOGORAMA – François Alaux, Hervé de Crécy, Ludovic Houplain - França

PRÉMIO PARA A MELHOR LONGA-METRAGEM / PRIZE FOR THE BEST FEATURE FILM

PANIQUE AU VILLAGE- Stéphane Aubier, Vincent Patar - Bélgica

PRÉMIO PARA A MELHOR CURTA-METRAGEM / PRIZE FOR THE BEST SHORT FILM

RED-END AND THE SEEMINGLY SYMBIOTIC SOCIETY – Robin Noorda, Bethany de Forest – Holanda

Menções Especiais:

GRANNY O’GRIMM’S SLEEPING BEAUTY – Nicky Phelan – Irlanda

MADAGASCAR – CARNET DE VOYAGE – Bastien Dubois - França

PRÉMIO PARA A MELHOR MÉDIA-METRAGEM / PRIZE FOR THE BEST MEDIUM LENGTH FILM

LOST AND FOUND – Philip Hunt – Reino Unido

PRÉMIO PARA O MELHOR PRIMEIRO FILME, FILME DE FIM DE ESTUDOS, FILMES DE ESCOLA / PRIZE FOR THE BEST FIRST FILM, GRADUATION FILM, SCHOOL FILM

GARY – Clément Soulmagnon, Sébastien Eballard, Quentin Chaillet, Yann Benedi - França

PRÉMIO PARA O MELHOR FILME PUBLICITÁRIO OU DE INFORMAÇÃO/ PRIZE FOR THE BEST COMMISSIONED FILM

HARMONIX “ROCK BAND II” – Pete Candeland – Reino Unido

PRÉMIO PARA A MELHOR SÉRIE OU FILME DE ANIMAÇÃO PARA TELEVISÃO / PRIZE FOR THE BEST SERIES OR ANIMATION FILM FOR TV

Não atribuido

PRÉMIO JOSÉ ABEL / PRIZE JOSÉ ABEL

FRENCH ROAST – Fabrice O. Joubert - França

GRANDE PRÉMIO TOBIS / GRAND PRIZE TOBIS

Pássaros – Filipe Abranches - Portugal

PRÉMIO ALVES COSTA / PRIZE ALVES COSTA

O Acidente – André Marques e Carlos Silva – Portugal

PRÉMIO DO PÚBLICO/ PRIZE OF THE AUDIENCE

Logorama – François Alaux, Hervé de Crécy, Ludovic Houplain - França

PRÉMIO RTP2: ONDA CURTA / PRIZE RTP2: ONDA CURTA

MADAGASCAR – CARNET DE VOYAGE – Bastien Dubois - França

LES VENTRES – Philippe Grammaticopoulos - França

MEMOIRE FOSSILE – Arnaud Demuynck, Anna-Laure Totaro – França

MALBAN – Elodie Bouedec – França

GERMANIA WURST – GERMAN HISTORY IN A BITE - Volker Schlecht – Alemanha

NOTEBOOK – Evelien Lohbeck – Holanda

PRÉMIO MELHOR BANDA SONORA ORIGINAL / PRIZE FOR THE BEST ORIGINAL SOUNDTRACK

URS – Moritz Mayerhofer - Música de Frank Schreiber e Peter Gromer - Alemanha

COMPETIÇÃO NACIONAL / NATIONAL COMPETITION

PRÉMIO JOVEM CINEASTA PORTUGUÊS / PRIZE YOUNG PORTUGUESE DIRECTOR

Filmes feitos por crianças e jovens até 18 anos:

O ASSALTO - Alunos da EB1 Sede nº1 de Vila do Conde – Portugal

Menção Honrosa:

AMOR POR UM FIO – Alunos da EB 2,3 Júlio Saul Dias , 9º H – Vila do Conde - Portugal

Primeiro filme de Jovens Realizadores ( menos de 30 anos):

O DIREITO À INFELICIDADE - Colectivo NEFASTO - Pedro Vaz, Mário Dinis, Miguel Coelho - Portugal

PRÉMIO ANTÓNIO GAIO/ PRÉMIO FNAC

MI VIDA EM TUS MANOS – Nuno Beato - Portugal

Menção Especial:

ALGO IMPORTANTE – João Fazenda – Portugal


sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Palmarés do Estoril Film Festival 2009

GRANDE PRÉMIO ESTORIL FILM FESTIVAL

Dogtooth de Yorgos Lanthimos (Grécia)


PRÉMIO ESPECIAL DO JÚRI JOÃO BÉNARD DA COSTA

Ex-aequo

Eastern Plays de Kamen Kalev (Bulgária)

The Girl de Fredrik Edfeldt (Suécia)


PRÉMIO CINEUROPA

First of All, Felicia de Melissa de Raaf e Razvan Radulescu (Roménia)


Menção Honrosa

The Girl de Fredrik Edfeldt (Suécia)


PRÉMIO MEO – MELHOR CURTA METRAGEM

52 Procent de Rafal Skalski

The Polish National Film, TV and Theatre School (Lodz, Polónia)


Menção Honrosa

Deixar cair a noite de Jorge Jácome

Escola Superior de Teatro e Cinema (Portugal)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Cinanima: a festa da animação



A Matter of Loaf and Death, o ultimo episódio da série britânica Wallace & Gromit, de Nick Park, é um dos grandes destaques do Cinanima, que decorre em Espinho, de 9 a 15 de Novembro. Aquele que é o maior festival de cinema de animação português, e um dos mais destacados a nível europeu, entra assim na 33.ª edição. O filme abre o certame, logo no dia 9, às 22 horas, numa sessão em que também passa Life Without Gabriella Ferri, da dupla estónia Priit e Olga Parn. O mais importante são os filmes portugueses. Para o Prémio António Gaio, da competição nacional, concorrem dez filmes, e muitos mais ficaram de fora, mostrando não só a quantidade mas também a qualidade da produção portuguesa. Alguns já se afiguram como favoritos ao prémio: Mi Vida en tus Manos, de Nuno Beato, sobre a tourada; Passeio de Domingo, de José Miguel Ribeiro, em que o único realizador português premiado com o Carton D’Or regressa à animação de volumes; Café, de João Fazenda e Alex Gozblau, dois dos melhores ilustradores portugueses da actualidade; 28, de José Xavier, num percurso a bordo do mais famoso eléctrico de Lisboa; ou Pássaros, de Filipe Abranches, já premiado no IndieLisboa. Diga-se que João Paulo Cotrim está em grande evidência, assinando o argumento de três dos dez filmes. À parte, funciona o Prémio Jovem Cineasta, dividido em diferentes categorias, que tanto premeia filmes de crianças como primeiras obras.

A Competição Internacional de Longas-metragens pela primeira vez conta com cinco obras. Mostra do encanto que vem de leste. Da república Checa, dois filmes: In Attic:Who has a birthday?, de Jiri Barta, uma fabulosa animação de marionetas, ao melhor estilo; e Goat Story – The Old Prague Legends, de Jan Tománek, a primeira longa-metragem 3D da República Checa, que conta a história do homem que fez o mais famoso relógio da Europa. Da Rússia, uma história de encantar em verso ainda ao estilo soviético: The Tale of the Soldier Fedot, The Darkling Fellow, de Ludmila Steblyanko. A dupla belga Stépháne Aubier e Vincent Patar apresenta em formato longo o trabalho apresentado em curtas-metragens, com aqueles bonequinhos plásticos de índios e cowboys. A aventura chama-se Panique au Village. A maior surpresa talvez venha da Argentina: Boogie, el Acetoso, de Gustavo Cova, é uma obra de uma violência exacerbada, inspirada numa BD proibida na Argentina durante a ditadura.

Pelo Cinanima passam ainda dezenas de curtas-metragens dos quatro cantos do mundo, bem como programas especiais, incluindo uma palestra de Lara Ermacora e um workshop de Marius Legge.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O Festival de todas as estrelas



Don Delillo estará em Portugal, novamente para acompanhar o Estoril Film Festival, que decorre de 5 a 14. Mas tal mal será notícia. Perante a constelação que passa pelo Estoril, naturalmente, que desta vez o escritor americano, um repetente, não ocupará extensas páginas nos jornais. O Festival de Paulo Branco coloca Portugal no circuito internacional das grandes estrelas. Este ano é certa a presença de Coppola, Juliette Binoche, David Cronenberg, entre muitos outros. Além de uma dúzia de ante-estreias e uma sessão competitiva que promete…

O Fantástico Senhor Raposo, de Wes Anderson, um dos filmes mais esperados do ano, vai ter a sua segunda exibição mundial no EFF. Isto logo no dia da abertura, às 22 e 30, depois da gala. Após The Darjeeling Limited, o realizador surpreende tudo e todos com uma animação, baseada num livro de Roald Dahl, o autor de Charlie e A Fábrica de Chocolate. Maior ainda é a expectativa para o último filme de Michael Haneke, O Laço Branco (dia 7, às 22), que venceu a Palma de Ouro do Festival de Cannes, e conta a história de duas crianças que fazem parte do coro de uma Igreja Protestante. São dois óptimos exemplos da qualidade elevada do Festival de Paulo Branco, sobre o qual, cada vez mais, caem os olhos do mundo.

Também premiado em Cannes foi Um Profeta, de Jacques Audiard, sobre um jovem árabe que é enviado para uma prisão francesa. Encerra o festival (dia 14, às 21 e 30). Ainda agora estreou nas salas portuguesas O Delator, e o EFF já mostra o filme seguinte de Steve Soderbergh, The Girlfriend Experience (dia 12, às 22 horas), para o qual descobriu a actriz Sacha Grey, que estará presente no Estoril. Uma bomba promete ser o novo filme de Lars Von Trier, realizador habituado a polémicas e a pequenas revoluções no cinema, que desta vez inventa-se num novo género: o terror. Como é hábito a crítica tem-se dividido em relação a Anticristo (dia 13, à meia-noite), mas entre o gore e a comédia tem todas as condições para se tornar filme de culto. A neo-zelandesa Jane Campion, que tem uma retrospectiva no festival, também ante-estreia Bright Star (dia 11, às 22 e 15), um filme passado no século XIX, que conta a história de amor entre o poeta John Keats e Fanny Brawne. Entre os portugueses, aguarda-se a estreia de Os Sorrisos do Destino (dia 7, às 19 e 30), de Fernando Lopes, numa sessão com a presença do realizador e dos actores (ver crítica p. 30). E há ainda uma grande obra Lola Montés (dia 9, às 12 e 30), a única película de Max Ophuls a cores, que é apresentada em cópia restaurada.

Os convidados são de tal gabarito e as ante-estreias tão significativas, que inevitavelmente se deixa para segundo plano a sessão competitiva. Contudo não é de todo desprezível. Aliás, Moon (dia 8, às 18), do inglês Duncon Jones, um dos filmes exibidos, também será estreado muito brevemente em sala.

Tal como aconteceu o ano passado, com 4 Copas, de Manuel Mozos, também este ano há um filme português em competição: Duas Mulheres, de João Mário Grilo. Passará em estreia mundial. A cinematografia romena continua a estar em grande destaque. No EFF está duplamente representada. Por Police Adjective, de Corneliu Porumboiu, o mesmo realizador de A Este de Bucareste (dia 6, às 17 horas). É novamente um retrato perspicaz e quase documental da Roménia, desta vez contando a história de um polícia com um dilema moral. E First of All, Felícia (dia 11, às 15 horas; dia 12, às 19 e 30), realizado por Melissa de Raaf e Razvan Radulescu, este último é o autor de A Morte do Senhor Lazarescu. Também do Leste, Eastern Plays (dia 10, às 17 horas; dias 11, às 19 e 45), do búlgaro Kamen Kalev, que conta a história de dois irmãos, outrora rivais e agora unidos.

A França é o pais mais representado, com três filmes: La Famille Wolberg (dia 6, às 15; doa 7 às 22 e 15), de Axelle Ropert, numa família disfuncional e poderosa perdida na província francesa; Le Roi de l’Evaasion (dia 11, às 17 e 15; dia 12, às 21 e 45), de Alain Guiraudie, sobre um homossexual que se apaixona; Les Beaux Grosses (dia 8, às 16 horas) é o primeiro filme de Riad Sattouf, sobre os amores e desamores de um adolescente. A Espanha está representada com Petit Indi (dia 7, às 15 horas), do catalão Marc Recha, que fala de um treinador de periquitos. Da Grécia, Dogtooth (dia 10, às 18 e 45), de Giorgios Lanthimos, com a presença do actor Christos Stergiougiou. E da Suécia, The Girl (dia 19, às 17 e 30), de Fredrik Edfeldt, que também estará presente no festival.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Festa do Cinema Francês


Uma homenagem a Agnès Varda, que virá a Lisboa e terá uma retrospectiva na Cinemateca, assim como uma série de curtas-metragens no Instituto Franco-Português, integram o DocLisboa, que se prolonga até 10 de Novembro, com filmes, concertos, exposições e masterclasses (Agnès Jaoui e Jan Kounen). Hoje, sexta, 9, às 19 o documentário À Côté, de Stéphane Mercúrio, e às 21 e 30 Pour un instant la liberte, de Arash T. Riahi, a história da viagem de dois jovens fugidos do Irão depois da revolução islâmica de 79. Sábado, 10, Le Bal des actrices, de Maïwenn Le Besco, às 19, e La journée de la jupe, de Lean Paul Lilienfeld, às 21 e 30. Domingo, às 17, La Première Étoile, de Lucien Jean-Baptiste, às 19 o policial de Claude Chabrol Bellamy, e às 21 e 30 Le premier jour du reste de ta vie, de Remi Bezançon..
Passe-passe, de Tonie Marshall, passa dia 12, e de Ne te retourne pas, de Marina de Vanàs, a 13, ambos às 21 e 30. A 14. às 19, Demain dès l’aube, de Denis Dercourt (também, a 15, em Almada, onde, no Pavilhão Fernando Lopes Graça, será exibido também L’armeé du crime ), a 15, às 21 e 30, Coco Channel et Igor Stravinsky, de Jan Kounen. A 16, às 19, La Terre de la folie, documentário de Luc Moullet sobre perturbações mentais nos Alpes. E a 17 mais três filmes: Erreur de la banque en votre faveur, de Gérard Bitton e Michel Munz, Cliente, de Josiane Balasko e Éden à l’ouest, de Costa-Gavras.
A Festa chega a seis cidades portuguesas (Lisboa, Porto, Almada, Guimarães, Faro e Coimbra) terá uma retrospectiva da obra de Jeanne Balibar, a projecção de dois filmes de Manoel de Oliveira, na Cinemateca, um concerto de Moriarty, e uma exposição de retratos a preto e branco de realizadores e actores do cinema francês, no Instituto Franco-Português, entre hoje, 7, e 31 de Outubro.

Paulo de Bragança em filme irlandês




O que é feito de Paulo de Bragança? Foi uma das maiores estrelas do fado nos anos 90, e chegou mesmo a gravar pela americana Luaka Bop. Só que entretanto... simplesmente evadiu-se dos palcos. Pois Paulo de Bragança aparece agora como protagonista da segunda curta.metragem do irlandês Fergal Rock. Um filme sobre a crise económica em que Bragança faz de palhaço triste. Não é a estreia do fadista no cinema. Em 1998 fez de Padre em Tráfico, de João Botelho, cantando mesmo o Hino Nacional... em fado.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Amar sempre também cansa




O «fogo que arde sem se ver» com finais infelizes mas também não particularmente trágicos.
De que falamos quando falamos de amor no DocLisboa?

Falamos sempre da mesma coisa, apesar de os poetas tanto cantarem as suas indefinições. De «dor que desatina sem doer». É estranho só isso, encará-lo na sua nudez, sem, ao menos, a complacência de um «manto diáfano da fantasia». Nesta edição do DocLisboa (entre 15 e 25 de Outubro), o amor também comparece no imenso banho de realidade, que se firmou como referência internacional do cinema documental. Entre histórias sobre as mazelas por cicatrizar da ex-Jugoslávia (os Balcãs é a região em destaque), o extremismo da sinistra milícia iraniana Bassidji ou as agruras da emigração subsariana, lá está ele, tão deslocado como um sobretudo no Verão, na nova secção temática Love Stories (que substitui a dos Auto-Retratos do ano passado).

O amor sem maquilhagem, tão diferente daquele outro da ficção, o dos finais trágicos ou dos happy-ends. Pode não ser a secção mais excitante entre as 16 em que se exibem 200 obras, ao longo de 11 dias. Mas contém, seguramente, nas palavras do director do festival, Sérgio Tréfaut, «filmes de questionamento». É uma espécie de «síndroma Tom Baxter», ao contrário. No filme de Woody Allen, o intrépido explorador de
Rosa Púrpura do Cairo abandona o ecrã por causa de uma mulher e estranha que, na vida real, quando duas pessoas se beijam, não aconteça fade out. Nós também estranhamos que, nestes 11 filmes da secção, o amor não apareça tão composto como costuma acontecer na penumbra do cinema. É a vida.Ou como alguém diz a Cecília, a rapariga em fuga da realidade, no mesmo filme: «Afinal, o que é que preferes: um homem perfeito ou um homem real?» Eis a questão.

A primeira história de amor chega-nos da Alemanha.
Driving Men (15 e 22 de Outubro) é o retrato sentimental e muito umbiguista de uma realizadora americana «judia, cinquentona, solteira e um bocado maluca». Ou melhor, rectifica o director, «ela é mesmo doida varrida». A autora vai revisitando os homens da sua vida, filma-os ao volante de um carro (porque foi num acidente de viação que morreu o seu primeiro amor) e pergunta--se: «Porque é que eu nunca me casei?» Nos antípodas deste registo, está First Love (15 e 16), filme referencial do mestre polaco Krzysztof Kieslowski, que retrata sete meses de vida de um jovem casal, nos anos setenta. O realizador, conta Tréfaut, «sofreu tanto a fazer esta obra que nunca mais fez nenhum documentário». Também há a história (uma curta-metragem alemã) de Gitti (17 e 19), uma velhota septuagenária que escolhe o seu par através de um anúncio, e vai fazendo o seu casting amoroso. E de um par, na Mongólia, que vive separado pela distância da emigração, Long Distance Love (20 e 23), com realização sueca. Da Holanda chega o caso muito pragmático de um casal de gays e um casal de lésbicas que decidem unir esforços e células para fazerem um filho a quatro, em Mamas and Papas ( dia 16 e 19). Ao fim de cinco minutos de filme, nós já percebemos que «aquilo não vai funcionar. A vida não é assim tão simples».E mais casos de romeus e julietas no Afeganistão (War and Love in Kabul, 15 e 17) ou de viúvas que despertam para a vida, num salão de cabeleireiro (In Terms of Perms, 15 e 17), amores quotidianamente filiais (Padre Nosso, 16 e 18), amores aquecidos que nem as latitudes da Sibéria conseguem enregelar (Melting Sibéria, dia 16 e 18), e amores modernos, plurais e poligâmicos – todos abrigados sob o mesmo tecto multiétnico do Kosovo (Weddings & Diapers, dia 15 e 17). E é nos Balcãs que se encerra a secção, a lembrar que a região da ex-Jugoslávia, como dizia Churchill, produz mais História do que aquela que tem capacidade para consumir. E onde há histórias há documentários, e, acrescenta Tréfaut, «muito bom cinema», para além de Kusturica.

Na categoria Balcãs em Foco serão apresentados 17 filmes dos últimos dez anos, todos sediados na efeverescência ideológica, social e política de sete países que saíram de um só. Jonas Mekas, nome histórico do cinema experimental e independente, virá a Lisboa, numa co-organização que envolve o Museu Reina Sofia, a apresentar uma retrospectiva de 17 filmes seus; Pina Bausch será a artista homenageada; e o futebol vem «buscar novos públicos que não estejam tão conquistados para o documentário, mas o objectivo não é crescer a todo o custo». «Aliás, tentamos não crescer», atalha Augusto M. Seabra, que, este ano, torna a comissariar Riscos, com filmes mais híbridos e de fronteira, vindos da Tailândia, Indonésia, México, Irão, Palestina…Não se tratará de uma edição muito típica do DocLisboa, no sentido em que, desta vez, não é tão óbvia a vocação interventiva do festival. Ao contrário de Wiseman, o realizador convidado no ano passado, Mekas não reivindica mudar o mundo nem fazer cinema-denúncia. Por outro lado, sai uma boa fornada de documentários nacionais, em competição. Se, nas outras edições, muita da produção portuguesa denunciava algum défice de imaginação temática e formal, «estes filmes prometem fazer um bom percurso, em termos de festivais internacionais. A média de qualidade deu um salto e queremos acreditar que a sensibilização do Doc contribuiu para isso». No ano em que o Doc fala de amor, Sérgio Tréfaut fala de divórcio. Com a RTP e devido à ausência de serviço público – e ao desinteresse manifestado pelo documentário, ao contrário do que sucede noutras televisões europeias. Enfim, é a realidade... Chata, diria Woody Allen, mas «o único sítio onde ainda se pode comer um bom bife».

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Porno vintage e em coro

Imago X, reportagem no Fundão, naquele tempo é que era...

O Coro Misto da Beira Interior musicando, ao vivo, pornografia vintage, dos anos 20 e 30. A coisa por si só promete. O resultado foi acima das expectativas. Um dos melhores filmes-concerto da história do Imago, aperitivo ideal para uma semana de luxúria cinematográfica, na X edição do festival de cinema jovem do Fundão, que terminou no passado dia 5. Quem está avisado, já sabe que o que faz o Coro Misto da Beira Interior não é propriamente o que se espera de um Coro Misto da Beira Interior. É dos grupos vocais mais ousados que tenho conhecimento em Portugal. Sob a batuta do maestro Luís Cipriano, o coro faz uma incursão muito original, sofisticada e inovadora pela música contemporânea, adaptando-se funcionalmente aos filmes que assistem. Assim acontece há anos, quando nos dão as boas vindas ao Imago.

Mas este ano era especial. O festival comemorava o 10.º aniversário, num programa X, e os organizadores até recearam que o prezado maestro recusasse desafio tão pouco convencional. Enganaram-se bem. O que Luís Cipriano fez foi excluir os menores de 16 – «por causa daquelas organizações de pessoas que não sabem tomar conta dos seus filhos e por isso se preocupam com os filhos dos outros» – e dar som àquelas imagens caladas. Faça-se aqui uma nota de espanto: já sabia que o sexo existe desde que existe o homem, mas não imaginava que nos anos 20 se filmasse pornografia tão explicitamente pornográfica (nestas Naughty Oldies não há sombra para erotismo). A coisa era hard e o coro deu-lhe música. Todos estes filmes são anónimos e circulavam clandestinamente por salas recônditas, ainda o cinema era uma criança.

Obra maior é a animação Burried Treasure, de 1929, soberbamente musicada. Aliás, foi antes desta começar que o maestro interpelou o público: «Estão aqui alguns políticos e ainda bem porque isto é curricular. Se alguma vez perguntarem se fizeram alguma coisa pela cultura, sempre podem responder: ‘Cantei num filme tralha’». Posto isto, pediu a ajuda do público, num coro que consistia em repetir a palavra «fuck» e em gemer. «Não tenham vergonha, é coisa que toda a gente já fez, nem que seja para fazer inveja ao vizinho de cima». Com óptimos resultados, diga-se. Miguel Ángel Barroso, crítico de cinema espanhol curador do programa, estava extasiado. Nunca tinha visto nada assim.

Noutros tempos, um programa assim seria o suficiente para ganhar ou perder eleições, ou criar um motim popular. Mas hoje em dia já não é assim tão fácil chocar as pessoas. As pessoas são à prova de choque e demasiadas sentadas para se mexerem. Mesmo no Fundão tendencialmente conservador. Além disso, por ali a câmara não sai das mãos do PSD nem que a burra tussa ou as cerejas amareleçam.

Curiosamente, a maior hostilidade veio de grandes jornais nacionais, que se recusaram a publicar o anúncio, por considerarem obsceno. E talvez até fosse. O velhinho Jornal do Fundão, antigo bastião da imprensa livre, quis publicá-lo, mas a organização do festival acabou por enviar uma alternativa. Ficou assim tudo satisfeito.

Miguel Ángel construiu uma programação variada, entre clássicos da pornografia, como Garganta Funda, raridades, como uma obra de Jean Genet, e filmes meramente eróticos, como Bilbao, de Bigas Luna. O festival esteve em grande. Mas não só de sexo se falou. A programação foi vasta, incluiu um óptimo programa musical, além da habitual secção competitiva. A qualidade dos filmes apresentados é elevada, lamentando-se apenas que não se incluam mais portugueses. De resto, nunca foi tão excitante falar de cinema.