Cliente, de Josiane Balasko

Cliente, de Josiane Balasko

Loucos e fãs, de Kyle Newman

Um grupo de jovens amigos faz 3000 quilómetros pelos Estados Unidos com o objectivo de assaltar a mansão de George Lucas e roubar a cópia do mais recente filme da saga Guerra das Estrelas, cuja estreia está marcada apenas para seis meses mais tarde. Um deles sofre de cancro pelo que a investida tem o seu quê de urgente e sentimental. Na prática o filme consegue ser ainda pior do que o que parece. Não tem ponta por onde se pegue. Está ao nível das mais básicas comédias para adolescentes, só que nem sequer a adolescentes se destina, pois as referências são outras (que adolescente sabe hoje quem era o Alf? Ou é fã do Caminho das Estrelas?) Há um tom de série televisiva rasca dos anos 80 que atravessa toda a película, acumulando cenas de humor de gosto duvidoso, na tentativa, mal-conseguida, de desenhar um universo intragável. Ou seja, nem objecto trash consegue ser. O que mais preocupa é que, escapando o filme aos adolescentes, deixa pressupor que há um público jovem adulto suficientemente apalermado para aderir a um objecto tão inclassificável de tolo. É que isto nem nos anos 80 tinha graça.
Sujidade & Sabedoria, de Madonna

Bruno, de Sacha Baron Cohen

Coco Avant Chanel, de Anne Fontaine


Second Life, de Alexandre Valente
Primeiro foram os realizadores portugueses que acharam que podiam muito bem passar sem os argumentistas – eles próprios se encarregavam de escrever. Agora vêm os produtores e acham que podem muito bem passar sem os realizadores – e eles próprios se encarregam de realizar (e escrever). A aldeia inteira dos macacos empoleirada no mesmo galho, desmoronamento garantido. E foi no que deu, numa espécie de karaoke do cinema ou de loja dos trezentos dos filmes.
Assiste-se a esta massa informe de celulóide desperdiçado, e fica-se com a sensação de que há mesmo quem pense cinema assim, como uma receita de culinária fast-food: põem-se ao lume uma série de situações de encher o olho, rega-se com o ketchup das caras televisivas, depois sai, pronto a mastigar, em inglês que é para disfarçar.
O filme é um conjunto de situações que se sucedem de forma aleatória, e desconexa, distribuídas por tantas personagens que a cada uma só cabe, em média, uma frase e meia. Primeiro há uma viagem de balão, depois um toureiro chamado pepe, depois uma Fátima Lopes de xaile a passear por ali, depois umas paisagens do Alqueva, depois uma cena de sexo lésbico, depois um morto na piscina que se torna o narrador (como no Crespúsculo dos Deuses, meu Deuses, só a analogia arrepia...), depois uma estátua à Cutileiro, depois uma menina frente à fonte de Trévi (onde é que nós já vimos isto?), depois um passeio de vespa frente ao coliseu romano ( ai, ai...), depois uma rave party com meninas de lingerie, máscara e um pianista (assim à De Olhos Bem Fechados de Kubrick, estão a ver?), e um Rui de Carvalho de rabo de cavalo, que francamente não merecia aquilo (e onde está a Eunice Munoz, esqueceram-se da Eunice Munoz...), depois um Nicolau Breyner cego, que faz uma pausa antes de cada palavra, tipo padrinho italiano, que gosta de conduzir a alta velocidade (onde é que se foram lembrar desta), depois um Figo a rodar um filme (ou lá o que é...), e um mordomo que é sempre o culpado... Bem, e pelo meio, ainda aparece o Jorge Malato, e (terei visto bem?) o Carlos Castro a desfilar por esta passarela voadora....
Austrália, de Baz Luhrmann

Se já sabíamos o que era o americanismo primário, ficamos agora a conhecer o australianismo primário. É mais ou menos igual ao outro. Basta substituir os índios por aborígenes. E mostrar um condoído paternalismo para com os seus hábitos dizimados pelos colonos. Com uma agravante no caso deste filme integralmente made in Austrália: a de ser uma imitação da imitação. E só na matemática é que dois negativos positivam – no cinema só servem para piorar e piorar mais, e tornar-se uma pesarosa viagem, de estereótipo em estereótipo, até aos créditos finais.
O assunto fica logo arrumado numa das cenas iniciais. Sara Ashley, uma senhora inglesa (Nicole Kidman) muito bem posta chega à Austrália em busca do marido e dirige-se a um saloon, onde uma série de cowboys se entretêm... em quê? Numa cena de pancadaria, pois. Nicole solta uma série de ohs e ahs afectados e vê toda a sua roupa interior ir pelos ares. Aí está, a cena cómica inicial, de apresentação dos personagens, para quebrar o gelo, e conquistar a adesão do espectador... Depois a Sara conhece o rude Drover (Jachman), um condutor de gado que a vai conduzir ao marido... Outra chalaça à altura dos diálogos do filme. Ele está a falar do cruzamento dos seus cavalos com uma égua de pura raça, e ela ofende-se, pensa que ele está a referir-se a ela... Quase desmaiamos de tanto rir. Este casal embirra imenso um com o outro? Claro que não, afinal amam-se loucamente, ainda por cima ela enviúva logo no início, o que é de extrema conveniência ao argumento. Quase cambaleamos de comoção. E depois há um menino mestiço que simboliza a reconciliação, depois do pedido de desculpa pela lei da assimilação, e canta com uma voz muito fininha. Quase trememos de compaixão. Tudo tão óbvio, tão previsível, sem um pingo de irreverência, tão politicamente correcto... Ainda para mais, quando se fazem explícitas citações aos filmes de 1939 (altura em que se passa Austrália) ao Feiticeiro de Oz e ao E Tudo o Vento Levou (datados do mesmo ano). Quase morremos do coração. Falta espírito, falta rasgo, falta paciência para assistir a quase três horas de filme.
Considerado a mais cara produção de sempre da história do cinema australiano, o filme realizado pelo australiano Baz Luhrmann (Moulin Rouge) pretende ser um grande épico que retrata a história de um país, misturado com filme de aventuras, acção e romance... Há uma grande manada de vacas (em vez dos bisontes americanos, há um velhote aborígene omnipresente, que salta de monte em monte, e simboliza o misticismo da nação, há o tal menino mestiço que representa a «stolen generation», há bombardeamentos dos japoneses, há um vilão muito mau que acaba... mal (como adivinharam?). Também há muito violino a vibrar nos momentos de puxar a lágrima, muitas alvoradas radiosas, passarinhos a pipilantes, e uma travessia do deserto, em que humanos e bovinos se encontram ressequidos de sede debaixo do sol inclemente. Mas Luhrmann nem precisou de um Deus Ex Machina para os retirar daqueles áridos apuros. Na cena seguinte, já estão frescos que nem uma alface, sem resquícios de desidratação, a cavalgar pelas ruas de Darwin...
E há sobretudo Nicole Kidman, 41 anos, que em poucos anos desceu quase uma dezena de lugares no ranking das actrizes mais bem pagas do mundo. Neste filme a actriz australiana que já foi dirigida por Kubrick (De Olhos Bem Fechados), por Aménabar (Os Outros), ou por Lars Von Trier (Dogville) só prova a importância de um realizador até para a fazer parecer bonita. De resto, tentar fazer uma colagem deste filme kitsh e apinhado de lugares comuns aos clássicos do technicolor, é que é mesmo confundir as obras primas do mestre com as primas do mestre de obras.
A Arte de Roubar, de Leonel Vieira

É um daqueles filmes que não dá vontade de falar, só de pontuar. Com «!?!». Ou «???». Ou então, aproveitava-se para dar uso àquelas teclas de pouca rodagem no computador: «*& fdmflnmen**dlakcmytrrsd<**», como se faz nos balões de BD. Embora a retórica dos três pontinhos seja sempre imbatível. Enfim... É pena, porque Leonel Vieira, produtor do Filme da Treta (como sempre se anuncia), é um hábil realizador, que se tinha saído até muito bem em O Julgamento, o seu último e melhor filme. É que para filmar à Tarantino não basta querer – assim como para fazer um desenho à Picasso não basta juntar três traços. Não basta querer nem sequer crer. Leonel Vieira resolveu semear elementos tarantinescos do princípio ao fim da história (as personagens, as situações, a música, a estrutura...), mas o que colheu desta semeadura não foi um filme «à tarantino», foi antes uma mascarada. Na verdade, A Arte de Roubar parece um baile de máscaras, subordinado ao tema Tarantino, com um toque alucinado de Piratas das Caraíbas. Todas as personagens são hiperactivas, os homens palitam os dentes em saloons e usam imenso a «f word» (todos falam inglês), e conduzem pelo faroeste das lezírias. As mulheres são hispânicas e chamam-se Lolas. Há zombies, gangsters falhados, toureiros, anões e ainda um Nicolau Breyner, em versão «apetece-lhe tomar algo». O que para baile de máscaras seria um sucesso. Para filme...
O Ar que Respiramos, de Jieho Lee

O sexo e a cidade, de Michael Patrick King

Não é o fim do mundo, não é um desastre, nem nenhuma fatal desilusão – é apenas um blockbuster de Verão. E mais uma desnecessária confirmação de que o Princípio de Peter também se aplica ao cinema. De como uma série de televisão razoavelzinha se torna no mais insignificante produto cinematográfico da temporada. De como um tecto (baixinho, vá, destes dos apartamentos modernos) se transforma num chão. Ainda por cima cheio de entulho televisivo, iluminação e enquadramentos banais, planos médios básicos, personagens completamente inúteis para o guião e uma estrutura dramática tão profunda quanto um prato japonês. Não basta fazer um episódio crescer de meia hora para duas horas e meia (!!!) para transformar televisão em cinema. O formato dos 60 centímetros não cresce para os vários metros do grande ecrã como um pão com fermento. Se se limita a injectar hormonas de crescimento, o máximo que se pode esperar é um escanzelado, rijo e anémico frango de aviário. O Sexo e a Cidade é um frango de aviário. Não é incomestível (embora ao fim de hora e meia comece a ser duro de roer), não causa indigestões, não mata nem engorda, só não tem... ponta de graça.
Há uma piada do Sienfeld que pergunta o que iram achar uma espécie de aliens etnólogos se espreitassem cá para baixo e observassem o estranho comportamento de uns seres de duas patas que se passeiam atrás de outros seres de quatro e lhes apanham os excrementos com um saquinho: quem é que eles iam achar que manda no Planeta Terra, o seres de duas patas ou os de quatro?
E, perguntamos nós, o que iriam achar os mesmo aliens se resolvessem estudar as mulheres através deste filme? Que seres são estes que andam aos saltinhos, passam a vida aos gritinhos (inhos, inhos...) e têm as conversas mais entediantes do mundo, à hora do almoço? Ainda por cima, mantém-se o estratagema narrativo mais facilitista e telenoveleiro do mundo, que é fazer as personagens conversar em redor de uma mesa... Que estranhas criaturas estas que passam sempre carregadas de sacos, que andam saltitantes de pijama e chinela de salto alto em casa, que se deitam de colar ao pescoço e rejubilam de alegria quando recebem um closet como prenda de casamento? Que estranhas criaturas estas que vão passar férias ao México sem saírem da borda da piscina e se riem desalmadamente quando uma delas tem um desarranjo intestinal? Ainda por cima nem têm vidas amorosas interessantes, do ponto de vista dramático: são todas monogamicamente maçadoras... E para senhoras que dão tanta importância à moda, a moral da história é de uma confrangedora pobreza franciscana. Mais ou menos isto: o amor é a palavra-chave, literal e metaforicamente. E até sentimos tonturas e vertigens perante essa abissal originalidade.
Os estereótipos são sempre os do costume: mulheres a falarem despudoradamente de sexo e de homens. Estas não são mulheres reais. São uma espécie de projecção gay das mulheres. Do tipo como certos gays homens gostavam que as mulheres fossem... Sempre a mudar de roupa, a comprar sapatos e a cobiçar acessórios. Às tantas o filme torna-se no mais monótono catálogo de moda, com direito à secção vestidos de noiva.
O mais pungente não é esta trivial caricatura, mas o tom tragicamente desactualizado destas fanáticas da moda. Mais quarentonas ou cinquentonas, não é isso que interessa. O problema não é a idade (nem a cidade), mas a falta de nexo (e de sexo, ao que elas dizem). O que conta é que este é um modelo importado dos anos 90, sem a mínima preocupação de adequação aos dias de hoje. Uma delas até prepara um jantar ao marido: Sushi, imagine-se. Tal foi a ânsia do autor do filme em não transgredir as fórmulas do passado, que nos apresenta um filme envelhecido à nascença. Povoado de estranhas patetinhas do século passado.

Duas irmãs, Um Rei, de Justin Chadwick
«Cortem-lhes a cabeça!», era a ordem preferida da rainha de Alice, a do País das Maravilhas. Mas até essa temperamental rainha do baralho tinha um exército de cartas com mais espessura do que esta corte de Henrique VIII, achatada pelas máquinas prensadoras da reciclagem cinematográfica. Duas Irmãs, Um Rei, de Justin Chadwick, e eis como se reduz uma época crucial da História de Inglaterra do século XVI (tantas vezes revisitada pelo cinema) a uma historieta de alcova. E o reino de Henrique VIII torna-se o reino do óbvio, do estereótipo e da banalidade televisiva. Estão lá todos os pressupostos da telenovela da hora do almoço (ainda existirá este conceito?). Há a irmã boazinha, que não por acaso é loura e angélica (Scarlett Johansson). E a irmã mazinha, Ana Bolena, ambiciosa, pérfida e morena (Natalie Portman). Também há a mulher enganada, uma Catarina de Aragão com uma verruga. Um pai e um tio gananciosos. E uma mãe irrelevante. E nem a actriz Kristin Scott Thomas consegue sustentar toda a sua prescindibilidade. Ah, também há o rei cortador de cabeças (Eric Bana), aqui na pele do monarca seduzido pelo mulherio, que lhe entra e sai, a todo o momento, dos aposentos reais. Os diálogos são desinteressantes, os enquadramentos banais, e sempre que o filme precisa de alguma acção o realizador enxerta-lhe uma cenas de galopes desenfreados, pelos rios e bosques de Inglaterra. Os actores parecem desconfortáveis naquelas personagens e naquele guarda-roupa, plastificado, pouquíssimo convincente, mas a piscar o olho aos públicos femininos – não necessariamente do sexo feminino.
Vista Pela Última Vez, de Ben Affleck
Eles, de David Moreau e Xavier Palud

Conta-se que um dia um ladrão puxou a carteira por trás a Sophia de Mello Bryener. Ela disse: «Que susto! Pensei que fosse um fantasma». Sophia temia mais as aparições do espírito do que as da terra, talvez porque ela própria fosse menos deste mundo que de (um) outro. A dupla de realizadores franceses, David Moreau e Xavier Palud, fez uma espécie de réperage pelos lugares do susto. Concluíram que aquilo que as pessoas consideram de mais aterrador é a ideia de um intruso dentro da própria casa. E é desta premissa que parte a sua primeira longa-metragem, Eles.
A Educação das Fadas, de José Luís Cuerda

A Educação das Fadas é um filme bom para cardíacos. Como aqueles mares sem rugas, de arrasar os nervos aos surfistas que flutuam desconsolados, sem vaga no horizonte.
Na cartilha do mau show humorístico existe uma regra para descongelar plateias: quando tudo, mesmo tudo, falha é altura de pôr um tipo vestido de mulher a levar com um bolo na cara. O expediente pode não ser do mais fino gosto. E já estamos no domínio do humor sobre o humor. Mas sempre é um expediente, um recurso. O último. A Educação das Fadas, do espanhol José Luís Cuerda, é um filme bom para cardíacos. Como aqueles mares sem rugas, de arrasar os nervos aos surfistas que flutuam desconsolados, sem vaga no horizonte. É isto que faz o espectador. Flutua, mais aborrecido do que desconsolado, neste mar de estereótipos. Que não só não tem vagas no horizonte, como não tem sal, nem... profundidade. A acção é tão previsivelmente monótona, quanto as personagens são monocordicamente boazinhas. Nem todos têm de fazer filmes-tsunami, mas ao menos uma ondulaçãozinha que fosse. E ao fim de meia hora de filme já nem acreditamos que algo consiga agitar as águas. Nem um «bolo na cara», que seja.
O filme tem um bom arranque. Música (original, de Lúcio Godoy), bonita e um genérico interessante. Um tabuleiro de um jogo para crianças chamado «Nuestro Mundo», de várias peças com desenhos naives. Há um camelo, uma cidade, uma vaca, um telemóvel, um repolho... O nosso mundo, em suma, explicado aos mais novos. Depois, há um homem (Ricardo Darín, o actor argentino do momento), que, num avião, repara numa mulher (a francesa Irene Jacob). Em seguida, repara que esta mulher, como disseram os Gato Fedorento no programa passado, «já vem com brinde»: um filho de sete anos (Vítor Valdivia). Ele arranja um estratagema engraçado para os conhecer e, pronto... serão os três dramaticamente felizes para quase sempre. Dramaticamente felizes, dramaticamente piegas, dramaticamente maçadores. Ele é inventor de brinquedos, o que parece interessante, mas o filme, para além do genérico, nada extrai deste potencial narrativo. Ela é ornitóloga, traça os «mapas olfactivos» dos pombos, mas para além das cenas passadas dentro da «jaula» dos pássaros, também daqui não tira partido. O menino acredita em fadas, tem pensamentos mágicos e dores de crescimento.
Há passarinhos, uma casinha no bosque, são todos muito amiguinhos e outras coisas terminadas em «inho»... E o pior ainda está para vir, quando aparece a anunciada fada. Lá que as há, há... Mas no filme de Cuerda não são azuis como as do Pinóquio, nem sexagenárias e esvoaçantes como as da Bela Adormecida. Esta é muito magrinha, imigrante argelina, caixa de supermercado, vítima de assédio sexual no local de trabalho e também muito boazinha. Pensando bem, esta é uma fada (a cantora Bebe) de fado. Tem perfil de desgraçadinha (irresistíveis os «inhos»). Tem o destino traçado. E tudo isto é triste. O namorado engana-a, o patrão violenta-a, os amigos do namorado partem-lhe umas costelas, na Argélia uns violadores fizeram-lhe umas cicatrizes na cara para ela aprender a usar véu, e, ainda por cima, não consegue a bolsa de estudo. É uma moura de pancada (existe a expressão?). E quando o protagonista, sem querer (sim, porque ele é muito bonzinho), lhe dá uma pancada na cabeça que a deixa desmaiada, ela responde: «Não faz mal, já estou habituada». É que também os polícias da Argélia, ó inclemência, ó martírio, lhe haviam partido a cabeça à cacetada, várias vezes...
Os actores bem franzem os olhos, o argumento bem puxa ao sentimento, mas no final, esta co-produção espanhola, francesa, argentina e portuguesa, não tem o condão, nem a varinha, de despertar alguma emoção. Como diria Diniz Machado, tudo sabe àquilo que não tem sabor quando estamos constipados.
Cabe a Irene Jacob, a actriz que ganhou um prémio em Cannes e ficou famosa por ter entrado em filmes de Kieslowski (A Dupla Vida de Véronique) e que ultimamente esteve em Portugal a filmar com Auster, protagonizar a reviravolta do filme. Decide que quer acabar com o casamento, mas ninguém percebe as suas razões. Arriscamos uma: será tédio?
Moscovo Zero, de Luna

Número 23, de Joel Schumacher
