
Mas numa inócua especulação podemos perguntar: e se a proposta viesse de Oliveira, será que Saramago resistiria? É provável que sim, até porque os criadores vêm de quadrantes opostos. E se viesse de Pedro Costa? E se fosse a primeira longa metragem de João «Palma de Ouro» Salaviza?
E, já agora, quem faria de Blimunda? Beatriz Batarda? Ana Moreira? Catarina Wallenstien? E Baltazar? Quem daria um bom Baltazar? Ricardo Trêpa? Nuno Lopes? Ou o jovem Tomás Alves?
E, tratando-se de um filme português, que papel teria Nicolau Breyner?
Uma coisa é certa (e até curiosa): os e-leitores do Final Cut prefeririam ver uma adaptação de Memorial do Convento ao cinema do que a de clássicos mais consagrados pelo tempo. A vitória do livro de Saramago foi convincente, com 26 % dos votos. Seguiu-se, a alguma distância, Os Maias, de Eça de Queirós (12 %), e, num surpreendente terceiro lugar, Eurico, o Presbítero, de Alexandre Herculano (10 %). Os Lusíadas, que é o clássico dos clássicos, apenas 5 % desejaram vê-lo em filme. Pior ficou Menina e Moça, de Bernardim Ribeiro, talvez por o livro não ter fim... O que é pena, porque aquele começo (“Menina e moça saí eu de casa dos meus pais”) promete um grande filme on the road, bem ao estilo do Miguel Gomes.
1 comentário:
Eu deixo uma sugestão aos cineastas portugueses: fazer um filme só com nicolaus bryeners: ele a fazer, ao mesmo tempo de galã, de mulher loura, de vilão, de polícia, de ladrão...
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