VISÃO/ FINAL CUT - Até que ponto a Palma de Ouro de Cannes pode ser também entendida como um reflexo do trabalho desenvolvido em torno da curta-metragem, muito concretamente no Curtas Vila do Conde?
NUNO RODRIGUES - Não tem de haver ligação directa, mas neste caso até há uma ligação com Vila do Conde porque o João Salaviza recebeu, há quatro anos, o primeiro prémio no festival, na secção Take One, que é um espaço de descoberta de novos autores, através dos trabalhos das escolas. O festival contribuiu para dar visibilidade às curtas. É preciso ver que, quando começámos, não havia produção nacional. O Curtas Vila do Conde é o palco das curtas portuguesas para o mundo. Estão presentes directores dos festivais mais importantes do mundo, como de Roterdão, Berlin ou Cannes...
Sentem-se de alguma forma penalizados pelo aparecimento de dois festivais em Lisboa, como o Indie e o Doc, que cada vez mais prestam uma atenção especial às curtas?
Não, é um fenómeno que acontece também noutros países, o facto de os festivais generalistas começarem a estar muito interessados nas curtas. Isso é bom porque contribui para o peso e importância do formato. O único aspecto menos benéfico pode ter mais a ver com empresas e patrocínios, porque o interesse do público mantém-se em níveis sempre crescentes.
Agora que têm o dobro da lotação (600 lugares), no reaberto Teatro Municipal sentem a pressão de «encher a sala»?
Nunca tivemos a histeria dos números, nem fizemos qualquer cedência programática tendo em vista atrair o público. O segredo de Vila do Conde é estar sempre a renovar-se, é estar sempre a cruzar-se com novas linguagens e outras artes. Aqui poderemos ver obras tão diferentes que se tornam corpos estranhos, impossíveis de definir.
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