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domingo, 14 de janeiro de 2007
Cara de anjo mau
Humphrey Bogart
(1899-1957)
Gangster, detective obstinado, dono de um bar marroquino... Bogart, o homem da gabardina, morreu há 50 anos.
Quem olhar para ele e permanecer indiferente ou já perdeu a alma ou não percebe nada de cinema. Ou ambos. Para Humphrey Bogart controlar uma cena bastava-lhe entrar nela. Gabardina desabotoada, apenas apertada com um cinto. Chapéu de aba virada para baixo. Olhar insolente. Segurava o cigarro (um Chesterfield) ao contrário, escondido na concha da mão. Economizava sorrisos – quando o fazia, usava apenas o lábio inferior. Ficava-lhe bem a arma à indumentária. Ficava-lhe bem o copo, enquanto rosnava as frases duras que sempre lhe calhavam. Mantinha as mulheres à distância de um assobio. Mas quando gostava mesmo delas chamava-lhes «miúda».
O herói a preto e branco dos anos dourados de Hollywood arriscava a pele com o «ar de quem é pago para isso» Exibia aquele esplêndida aspereza, quase que se supunha que era possível acender um fósforo no seu queixo – mesmo estando impecavelmente barbeado. Olhava sempre de alto - ou parecia que olhava: Bogart não tinha mais do que 1,60 de altura. Gostava de ganhar dinheiro «para poder dizer a uma ricaço para ir para o raio que o parta». Mostrava um intenso desrespeito pela autoridade, podia ser um herói sem nunca ter sido «um rapaz bonzinho». O olhar era cerrado e frio, as falas arremessadas pelo canto das boca, mas nós sabíamos mais do que ele. Bogart era duro, mas estava sempre do nosso lado.
Talvez não bebesse tanto quanto fingia. Sempre que tocavam à porta, Bogart agarrava num copo antes de ir abrir. Quando num jantar de amigos aparecia alguém desconhecido, assumia de imediato a sua habitual postura rude e sarcástica. Estava convencido de que as pessoas ficariam desapontadas se ele não se parecesse com... Humphrey Bogart.
A tenaz frieza era a sua liberdade. A fachada dizia «um homem não chora». Mas Bogart chorava. No seu quarto casamento (com Lauren Bacall, em 1945), «pus-me a pensar no significados das palavras». Quando foi buscar o primeiro dos dois filhos (de Lauren) ao infantário e o surpreendeu compenetrado a uma pequena secretária. Gostava de dizer o que pensava: «Bolas! Se não queres ouvir a verdade, por que é que me fazes essa pergunta?». E de semear uma boa discussão entre os amigos: depois sentava-se a observar as consequências. Em 1947, no tempo do sinistro senador Mcarty, encabeçou uma marcha a Washington para protestar contra as investigações do Comité de Actividades Anti-Americanas. «Tinha algo que fazia dele um homem autêntico e isso aparecia no seu trabalho. Tinha também uma espécie de pureza, o que é estranho se considerarmos o tipos de papéis que representou. E algo de sólido também. Ele era alguém que acreditava em qualquer coisa», disse um dia a viúva Bacall. Também gostava de jogar golfe, xadrez, e de velejar, no seu barco Santana. Conhecia o mar desde os 17 anos, altura em que abandonou os estudos para ir para a Marinha. «Velejar era a parte dele que ninguém conseguiu atingir. Não era nada de materialista. Era uma espécie de alma interior, um esconderijo quase místico», dizia sobre ele, o escritor e amigo Trumam Capote.
E com isto já lá vão 3 mil caracteres (com espaços) e ainda nem dissemos que Bogart era o primeiro de três filhos de uns pais distantes mas bem sucedidos profissionalmente (ele cirurgião, ela ilustradora). Que participou em quase 80 filmes e ganhou um Óscar com A Rainha Africana, de John Huston, (1951). Que morreu aos 57 anos de um morte dolorosa, com um cancro no esófago. «O que está toda a gente para aí a sussurrar? Tenho um cancro! Por amor de Deus, não é nenhuma doença venérea». Deixou umas últimas palavras muito «à Hollywood»: «Não devia ter trocado o meu scotch por Martini». Ou noutras versões, pousou o braço no ombro de Bacall: «Adeus, miúda». Pode não ser verdade, mas ajuda à lenda.
Bastante mais grave foi ainda não se ter falado de Casablanca (Michael Curtiz, 1942), o filme passado numa cidade marroquina feita de papelão, inteiramente reconstruída nos estúdios da Warner. Onde Ricky (Bogart) e Ilsa (Ingrid Berman) se reencontram e voltam a perder-se. «Se um rosto como o da Ingrid olha para nós como se fossemos adoráveis , toda a gente o acha. Não é preciso representar muito», disse uma vez. E talvez seja aí, bem perto do final, quando surge, de gabardina e chapéu, num aeroporto enublado que o actor se aproximou mais do sua fama lendária.
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